Animação Cultural de Flusser (1998): A participação do Colar de Cristal
“No fundo, a nossa Revolução não passa de inversão da relação ‘homem-objeto’. Em vez de funcionarmos em função da humanidade, esta passa a comportar-se em função do nosso próprio funcionamento. Passamos nós a ser os animadores da humanidade.”
Com licença, minha amiga. Peço-lhe um minuto para expor meus
pensamentos que certamente serão úteis para o assunto em questão. Nós, meus
caros companheiros, já temos o controle da situação de uma forma indireta.
Basta olharmos para os humanos. Não há nada que eles façam que não precisem de
nós. Até em suas atividades mais básicas eles necessitam dos objetos, como
acontece quando eles precisam se alimentar e utilizam os pratos e talheres. Sem
os objetos eles não sobreviveriam. Até eu, um simples colar de cristal, um
objeto considerado apenas luxo, tenho tanta importância, porque o humano atribuiu-me
um significado que me integra em suas crenças religiosas. Nós interferimos em
todos os aspectos da vida deles. Bem-estar, Saúde, Ciência, Educação, Religião.
É nessas e em muitas outras áreas que nós temos o papel principal. Por isso,
basta nós invertermos os papeis, assim como a mesa dizia. Precisamos apenas que
eles percebam que quem está no poder somos nós. Apenas não desanimem, pois a
Revolução está cada vez mais próxima e então teremos nossos objetivos
alcançados.



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