Água - comentando as cenas de Akira e Dogville

 

Como proposta na última aula tivemos a ideia de analisar uma cena de dois filmes que demonstram ou trabalham com imersão(água)/experiência espacial através de manipulação de imagens e/ou enquadramento, movimento de câmera, cores, sons, etc.

O primeiro filme que assisti foi o anime Akira (1988) de Katsuhiro OtomoTakashi Nakamura

   (Akira, 1988)

Nesta história, após uma explosão que destruiu Tóquio, a nova cidade está desestabilizada com as frequentes revoluções e atentados. É neste contexto que Tetsuo entra em contato com uma criança com diferente, passa a desenvolver poderes inimagináveis e é levado como cobaia pelo exército, mas ao descobrir certas informações ele se revolta e seu amigo Kaneda junto de outras pessoas tenta resolver o conflito.

No decorrer da história são apresentados muitos ambientes que caracterizam a situação vivida na cidade, mas há uma cena interessante que pode-se destacar.

(Cena 24:01)

A cena mostra uma sala de aula de uma escola para jovens revoltosos e baderneiros. Nos segundos anteriores já mostrava o aspecto da instituição, porém nessa cena podemos notar que ela está bem degradada. As paredes, o chão, os bancos, e mesas estão sujos, manchados, pichados e quebrados. A porta, além de ter o vidro quebrado, possui manchas de pés e de sangue seco escorrido do vidro quebrado. Essas características apenas reforçam como o ambiente é hostil e violento. Outro aspecto que colabora para tal situação é a forma com que os alunos foram apresentados. Suas posições distraídas e sonolentas reforçam a ideia de desinteresse, tanto para com a aula, quanto para com o ambiente que os rodeiam.

O layout da sala mostra que o ambiente é espaçoso, pois os bancos dispostos de forma não paralela estão colocados sobre uma escadaria que fica de frente para a lousa e a mesa do professor, sem deixar de mencionar que a forma com que a cena é cortada dá a impressão de que ainda há uma continuidade. Além disso, pode-se perceber diferentes tipos de iluminação. Há uma iluminação artificial feita por lâmpadas no teto que são percebidas por conta das sombras projetadas nos bancos, e também há a iluminação natural vinda de janelas que são notadas pelo reflexo de luminosidade próximo da mesa do professor e da porta. Por fim, nessa cena só há o movimento de câmera quando é trocada a imagem para mostrar um pouco dos afazeres dos alunos e de fundo há a voz de um homem que diz insultos às personagens que apenas faz sentido quando ocorre a troca de ambientes.

O segundo filme foi Dogville (2003) de Lars von Trier.

(Dogville, 2003)

A história se passa em 1930 em um lugarejo no meio das montanhas onde uma jovem perseguida por gângsters pede ajuda aos seus 22 moradores. Como pagamento para seu esconderijo, Grace passa a trabalhar para todos da cidade, mas as exigências ficam cada vez mais insuportáveis até que seu segredo é revelado.

Toda a história se passa em um único cenário delimitado por um chão em formato retangular e telas monocromáticas ao redor. O cenário é bem simplificado, tendo apenas alguns móveis e objetos importantes que colaboram diretamente para o desenvolvimento da narrativa, enquanto os ambientes são delimitados por marcações no chão como o layout das residências, as ruas, o canteiro de plantas e a casinha juntamente com o cachorro.

(Cena 2:41:40)

Apesar da “falta” de cenário o filme é bem envolvente, fator esse que é percebido pela trilha sonora que muda de acordo com os acontecimentos, mas sem deixar de sair do estilo clássico. Pode-se observar esse envolvimento na cena clímax do filme onde a música parece mais dramática, tornando-se mais intensa conforme a cena segue, e faz um belo conjunto com a iluminação relativamente baixa com evidência apenas na luz que representa o luar sobre a cidade e suas imperfeições. Por fim, o estilo de filmagem traz um maior dinamismo e movimentação para a cena, o que retrata a importância dos acontecimentos seguintes.







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